Turmas: 1º ano – Ensino Médi
Contato
entre índios e europeus nas terras “descobertas”
A fase pré-colonial
(1500-1530)
As notícias da chegada de Cabral à chamada Ilha de
Vera Cruz não tiveram repercussão imediata junto à Coroa portuguesa, pois
nenhuma riqueza evidente fora anunciada pelo escrivão Pero Vaz de Caminha. À primeira
vista, as terras que seriam hoje o Brasil não ofereciam vantagens comerciais.
O reconhecimento da nova terra iniciou-se logo após
1500. Constatou-se a existência de pau-brasil, madeira utilizada no tingimento
de tecidos. Assim que essa notícia chegou a Portugal, o rei declarou o
pau-brasil monopólio da Coroa.
Os índios extraem o pau-brasil
Dava-se o nome de feitorias aos estabelecimentos
instalados nas costas das terras dominadas. Tinham a finalidade de armazenar
mercadorias, armas, ferramentas e servir de abrigos. Nessas feitorias ficavam
os degredados (pessoas banidas e exiladas).
A mão-de-obra indígena era utilizada na exploração do
pau-brasil. Os indígenas trabalhavam em troca de pequenos objetos e utensílios,
como facas, machados e tesouras. Esse processo de troca é conhecido como escambo.
O Brasil é
uma colônia de exploração
A máquina administrativa e burocrática implantada na
América portuguesa objetivava a máxima rentabilidade. A fiscalização lusa era
severa. Para a colônia (Brasil) não havia alternativa senão suportar os rigores
do Pacto Colonial ou Exclusivismo Comercial,
ou seja, monopólio do comércio exterior que a metrópole (Portugal) exercia
sobre a colônia (Brasil). Para não concorrer com a metrópole (Portugal), a
colônia (Brasil) só podia produzir mercadorias que completassem as necessidades
metropolitanas. Em compensação, a metrópole (Portugal) enviava à colônia
(Brasil) produtos manufaturados e mão-de-obra escrava africana.
Martim
Afonso funda a vila de São Vicente
A ameaça estrangeira no litoral brasileiro era
significativa. A Coroa teve de tomar a posse efetiva das terras, senão outras
nações europeias o fariam. Mas isso se processou em um momento difícil para
Portugal. Empobrecido e endividado, o reino sofria perdas na rota da Índia e os
preços das especiarias estavam em queda. A situação era agravada pelos gastos
da nobreza ociosa e pela fuga dos judeus, que retiravam seus capitais do país.
O rei D. João III decidiu executar a empresa
colonizadora na América. Em 22 de janeiro de 1532, Martim Afonso fundou São Vicente,
a primeira vila do Brasil.
D. João III
distribui terras no Brasil
A imensidão da terra e a grandiosidade da empresa
colonizadora estavam acima das possibilidades econômicas do Reino, por isso o
governo de Portugal recorreu à iniciativa privada.
O rei D. João III adotou no Brasil o sistema das capitanias hereditárias, que tinha dado
bons resultados nas ilhas atlânticas portuguesas.
A nobreza portuguesa apossou-se de quatorze
capitanias, divididas em quinze lotes, doados entre 1534-1536. A distribuição
das terras era regulamentada por dois documentos: a carta de doação e a carta foral. A carta de doação instituía a
posse hereditária da capitania ao donatário,
o nobre, dando-lhe o direito de tomar posse da terra e dos resultados de sua
exploração. A carta foral regulava os direitos e obrigações dos donatários. Os
donatários não receberam as capitanias como proprietários, mas como
administradores.
Heródoto Barbeiro,
Bruna Renata Cantele, Carlos Alberto Schneeberger. História: de olho no mundo
do trabalho. Scipione, 2004, pág. 204-207.
Sociedade e
administração colonial - I
Nas primeiras décadas do século XVI, a única atração
econômica que a Colônia exercia sobre os portugueses era a exploração do
pau-brasil, insuficiente para estimular uma imigração significativa. Por isso,
as primeiras levas populacionais a chagarem à América portuguesa constituíam-se
de degredados e aventureiros.
O contato dos portugueses com os nativos, a princípio,
deu-se exclusivamente para aproveitá-los como mão-de-obra. Mas, para a Coroa,
era interessante que nativos e portugueses se relacionassem, pois isso
contribuiria para o crescimento populacional e a ocupação do território pelos
portugueses.
A sociedade colonial brasileira foi expressão do
capitalismo comercial europeu. Costuma-se caracterizar a sociedade colonial
como capitalista, escravista, agrária e patriarcal.
No período da economia açucareira, a sociedade era
basicamente bipolarizada. Existiam dois grandes grupos sociais: o dos senhores
de engenho e o dos escravos.
Também tinham prestígio social as altas autoridades,
como funcionários reais e militares graduados, e os membros do alto clero da
Igreja. Os grandes comerciantes eram poucos, porém donos de vultuosos capitais.
Heródoto Barbeiro,
Bruna Renata Cantele, Carlos Alberto Schneeberger. História: de olho no mundo
do trabalho. Scipione, 2004, pág. 211.
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