terça-feira, 5 de março de 2013


8º ano
Imigrantes:
1.1.   Identificar as características básicas do capitalismo industrial.
 Na segunda metade do século XVIII ocorreram profundas mudanças econômicas, políticas, sociais e culturais no mundo ocidental. Os últimos vestígios do feudalismo foram liquidados e a burguesia assumiu o poder político. As formas de governo viviam um processo de democratização. O sistema capitalista passou por várias mudanças, especialmente no modo de produção. Era a consolidação da cultura burguesa.
No início do processo industrial, foram utilizadas energias humanas, animal, eólica e hidráulica. O desenvolvimento da máquina a vapor por James Watt (1765) possibilitou superar o obstáculo da força motriz.
A fábrica era a nova unidade produtiva.; de artesanal e doméstico para a produção em larga escala, organizadas racionalmente em busca da produtividade, do controle dos operários e da geração de lucros.
As estradas eram péssimas e ficavam intransitáveis com as chuvas. A serviço do governo britânico, o engenheiro John Mac Adam (1758-1863) desenvolveu um processo de construção de estradas com a utilização de pedras, conhecido como macadame.
O desenvolvimento industrial e a mecanização dos campos arrastaram as populações rurais para os centros urbanos em busca de trabalho nas fábricas. As condições de trabalho eram desumanas. Não existia uma legislação trabalhista, e os sindicatos eram proibidos.
Heródoto Barbeiro, Bruna Renata Cantele, Carlos Alberto Schneeberger. História: de olho no mundo do trabalho. Scipione, 2004, pág. 281-284.
O capitalismo industrial é uma nova fase desse sistema econômico, que surge em meio a um processo de revoluções políticas e tecnológicas, na segunda metade do século XVIII. Com essa nova fase é superado o capitalismo comercial, também chamado de mercantilismo, que surgiu em fins do século XIV e vigorou até então. Muitos fatores econômicos, sociais e políticos contribuíram para o desenvolvimento dessa nova forma de capitalismo.
Na economia, o grande impacto foi trazido pelas transformações nas técnicas e no modo de produção. As máquinas passaram a ser utilizadas em larga escala, tornando ultrapassados os métodos de produção anteriores, de caráter artesanal. Esse processo ficou conhecido como Revolução Industrial e teve seu início na Inglaterra.
1.2. Identificar os grupos migratórios no Brasil nos séculos XIX e XX dentro do contexto da expansão do capitalismo.
Com grandes áreas aráveis improdutivas e precisando de mão-de-obra para a lavoura, sobretudo a do café, criou-se a necessidade de incentivas a imigração para o Brasil.
O senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro providenciou a vinda de colonos portugueses e alemães para trabalhar em suas fazendas, na província de São Paulo, em 1847, dentro do sistema de parceria. Outros fazendeiros o imitaram, custeando o transporte dos imigrantes da Europa até as fazendas no interior do Brasil e o sustento da família até a primeira colheita. Os imigrantes tinham direito a uma parte do valor do café que produziam, ficando o restante com o fazendeiro como forma de amortização da dívida representada pelas despesas da viagem e de custeio.
Em muitas fazendas, os colonos se sentiram reduzidos à escravidão e os fazendeiros, burlados nos seus interesses. O colono-parceiro tinha de esperar alguns anos desde a derrubada da mata até a venda dos grãos da primeira colheita de café. Já os proprietários não viam com bons olhos o trabalho do colono na produção de gêneros de primeira necessidade, por considerarem que isso desviava a mão-de-obra dos cuidados com os cafezais. Muitos acusaram colonos de abandonarem as fazendas sem saldarem as dívidas contraídas. Os imigrantes queixavam-se de que os fazendeiros entregavam-lhes cafezais novos e ainda improdutivos, enquanto mantinham as melhores plantações à custa do braço escravo.
A experiência da parceria foi mal-sucedida e muitos cafeicultores optaram por outras formas de estímulo à imigração em massa. Na verdade, pressionaram o governo brasileiro a subsidiar a imigração, aproveitando-se das dificuldades enfrentadas em muitos países europeus na segunda metade do século XIX. Crise econômica, escassez de emprego e de terras disponíveis para uma população que crescia disponibilizaram grande quantidade de trabalhadores livres no mercado internacional.
A Alemanha e a Itália foram os principais países a enviar seus cidadãos como trabalhadores para o Brasil e outros países da América (EUA e Argentina). O governo brasileiro assumiu a responsabilidade pelos custos das viagens, pelos contratos e pelas relações entre trabalhadores e patrões. Os imigrantes assinavam um contrato de trabalho que valia por dois ou cinco anos, recebendo um salário mensal fixo e uma porcentagem relativa à quantidade de café por eles colhida. O destino dos trabalhadores foram, principalmente, as províncias de São Paulo, de Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a partir de 1870 até as primeiras décadas do século XX.
Heródoto Barbeiro, Bruna Renata Cantele, Carlos Alberto Schneeberger. História: de olho no mundo do trabalho. Scipione, 2004, pág. 355-356.

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