8º ano
Imigrantes:
1.1. Identificar as características básicas do capitalismo industrial.
Na segunda metade do século XVIII
ocorreram profundas mudanças econômicas, políticas, sociais e culturais no
mundo ocidental. Os últimos vestígios do feudalismo foram liquidados e a
burguesia assumiu o poder político. As formas de governo viviam um processo de
democratização. O sistema capitalista passou por várias mudanças, especialmente
no modo de produção. Era a consolidação da cultura burguesa.
No início do processo industrial, foram utilizadas energias humanas,
animal, eólica e hidráulica. O desenvolvimento da máquina a vapor por James
Watt (1765) possibilitou superar o obstáculo da força motriz.
A fábrica era a nova unidade produtiva.; de artesanal e doméstico para a
produção em larga escala, organizadas racionalmente em busca da produtividade,
do controle dos operários e da geração de lucros.
As estradas eram péssimas e ficavam intransitáveis com as chuvas. A
serviço do governo britânico, o engenheiro John Mac Adam (1758-1863)
desenvolveu um processo de construção de estradas com a utilização de pedras,
conhecido como macadame.
O desenvolvimento industrial e a mecanização dos campos arrastaram as
populações rurais para os centros urbanos em busca de trabalho nas fábricas. As
condições de trabalho eram desumanas. Não existia uma legislação trabalhista, e
os sindicatos eram proibidos.
Heródoto Barbeiro,
Bruna Renata Cantele, Carlos Alberto Schneeberger. História: de olho no mundo
do trabalho. Scipione, 2004, pág. 281-284.
O capitalismo industrial é uma nova fase desse sistema
econômico, que surge em meio a um processo de revoluções políticas e
tecnológicas, na segunda metade do século XVIII. Com essa nova fase é superado
o capitalismo comercial, também chamado de mercantilismo, que surgiu em fins do
século XIV e vigorou até então. Muitos fatores econômicos, sociais e políticos
contribuíram para o desenvolvimento dessa nova forma de capitalismo.
Na economia, o grande impacto foi trazido pelas transformações nas
técnicas e no modo de produção. As máquinas passaram a ser utilizadas em larga
escala, tornando ultrapassados os métodos de produção anteriores, de caráter
artesanal. Esse processo ficou conhecido como Revolução Industrial e teve seu
início na Inglaterra.
1.2. Identificar os grupos
migratórios no Brasil nos séculos XIX e XX dentro do contexto da expansão do
capitalismo.
Com grandes
áreas aráveis improdutivas e precisando de mão-de-obra para a lavoura,
sobretudo a do café, criou-se a necessidade de incentivas a imigração para o
Brasil.
O senador
Nicolau Pereira de Campos Vergueiro providenciou a vinda de colonos portugueses
e alemães para trabalhar em suas fazendas, na província de São Paulo, em 1847,
dentro do sistema de parceria.
Outros fazendeiros o imitaram, custeando o transporte dos imigrantes da Europa
até as fazendas no interior do Brasil e o sustento da família até a primeira
colheita. Os imigrantes tinham direito a uma parte do valor do café que
produziam, ficando o restante com o fazendeiro como forma de amortização da
dívida representada pelas despesas da viagem e de custeio.
Em muitas
fazendas, os colonos se sentiram reduzidos à escravidão e os fazendeiros,
burlados nos seus interesses. O colono-parceiro tinha de esperar alguns anos
desde a derrubada da mata até a venda dos grãos da primeira colheita de café.
Já os proprietários não viam com bons olhos o trabalho do colono na produção de
gêneros de primeira necessidade, por considerarem que isso desviava a
mão-de-obra dos cuidados com os cafezais. Muitos acusaram colonos de
abandonarem as fazendas sem saldarem as dívidas contraídas. Os imigrantes
queixavam-se de que os fazendeiros entregavam-lhes cafezais novos e ainda
improdutivos, enquanto mantinham as melhores plantações à custa do braço
escravo.
A experiência
da parceria foi mal-sucedida e muitos cafeicultores optaram por outras formas
de estímulo à imigração em massa. Na verdade, pressionaram o governo brasileiro
a subsidiar a imigração, aproveitando-se das dificuldades enfrentadas em muitos
países europeus na segunda metade do século XIX. Crise econômica, escassez de
emprego e de terras disponíveis para uma população que crescia disponibilizaram
grande quantidade de trabalhadores livres no mercado internacional.
A Alemanha e
a Itália foram os principais países a enviar seus cidadãos como trabalhadores
para o Brasil e outros países da América (EUA e Argentina). O governo
brasileiro assumiu a responsabilidade pelos custos das viagens, pelos contratos
e pelas relações entre trabalhadores e patrões. Os imigrantes assinavam um
contrato de trabalho que valia por dois ou cinco anos, recebendo um salário
mensal fixo e uma porcentagem relativa à quantidade de café por eles colhida. O
destino dos trabalhadores foram, principalmente, as províncias de São Paulo, de
Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a partir de 1870 até as primeiras décadas
do século XX.
Heródoto Barbeiro, Bruna
Renata Cantele, Carlos Alberto Schneeberger. História: de olho no mundo do
trabalho. Scipione, 2004, pág. 355-356.
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